domingo, 9 de dezembro de 2007

Hermética?

Às vezes ouço comentários feitos a respeito da escrita da Clarice Lispector e me surpreende o fato de ela ser, por vezes, tão mal interpretada entre os leitores. É definida como "hermética", uma especialista em escrever o que não se entende, uma "louca". comentários preconceituosos atribuídos a ela. Mas, por que a definem assim? Fico a me perguntar. Bom, para quem nunca leu Clarice, o primeiro contato com suas obras pode ser extremamente impactante. Sim!! Extremamente impactante. As personagens que nos são apresentadas refletem a pessoa, a alma inquietante de quem tanto tem coragem para expô-la; são impressões autobiográficas; são imagens do seu interior, de sua vida de dentro. Ela fala de si, sobre si e para si a respeito de si mesma. É admirável sua autenticidade. Se há algum adjetivo que a possa descrever em parte, diremos: VERDADEIRA! Em cada linha, quando menos esperamos, somos tomados de surpresa por uma epifania. Quando saímos desse estado de graça e ingenuamente pensamos que não seremos mais abordados, nos vêm mais epifanias; tiramos os pés do chão. Talvez, os que a dizem hermética, o digam por medo de ler a si próprias. Os textos de Clarice, além de revelá-la por dentro, muitas vezes chegam a falar com o leitor, desvenda ao leitor sua própria alma. Por isso é que muitos não conseguem terminar de ler uma obra completa. E, sem que findem suas leituras, fogem, fogem de sua própria imagem interior. Não suportam ler a si mesmas pela escrita da Clarice. O olhar invertido atemoriza, é revelador demais; o leitor não-leitor de Clarice é assim, fugitivo de sua própria essência, de seus conflitos, de sua interioridade. Caros leitores quase-leitores ou não-leitores, muito cuidado!! As palavras da Clarice poderão dar-lhes bofetadas! Claro, uns tapinhas mais aquém de vossos rostos. Falo aqui em uma sacudidela na alma. Será por isso que vos aterrorizais com as palavras da Lispector?

3 comentários:

  1. Clarice é como chama que arde, nos toca com dor e dependendo da chama nos toca com prazer...enigmática???eu diria visionária das condições da alma humana !
    parabéns Vanessa!!bjs
    Conci

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  2. Van, sua leitura sobre a profundidade de Clarice é perfeita.
    E é isso mesmo: Ou toca ou não toca.
    Parábens. Beijos.Lu

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  3. Estamos acostumados a ver o mundo do nosso modo, fugimos das coisas, das situações e principalmente dos sentimentos que não podemos controlar, preferimos nos refugiar em um mundo "concreto", que não pertence apenas a nós e sim a todos, dessa maneira acabamos nos afastando de um mundo que é nosso, apenas nosso, o nosso mundo interior. Clarice através das suas obras nos revela o "desconhecido". Van, adorei a leitura sobre as peculiaridades de Lispector, gostei mais ainda das suas ironias que lhe é peculiar(o final foi perfeito).PARABÉNS!!!!!!=)
    Beijos. Jack

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