domingo, 23 de setembro de 2012

Te Navego

Tua pele
tem o cheiro que eu gosto,
tem o gosto que degusto,
tem os poros que gotejam
milhas e milhas das águas
do meu rio.
É meu leito
que navego sem rumo,
com pressa de chegar,
sem vontade de ancorar.
Nela me deleito, me aqueço,
me banho, me seco,
me molho,
me intumeço, me protejo,
me abrigo.
Na desenfreada viagem
pelos afluentes do teu tronco,
minha língua; uma jangada.
Circunda o abismo do teu
umbigo,
avista dois montes de cumes

perfeitos, eretos
pontudos,
desenhados pelo soprar dos ventos,
arrepio,
arrepias...
Prossigo rio acima ao encontro 
dos montes.
Me entrego ao meio: sou deles;
mordo, sorvo, sugo,
sopro,
roço, acaricio,
sal, sol, sul...
És tu um rio ou oceano em fúria?
Sem perigos,
ondulas,

ondulas,
ondulas...!
Minha jangada circunda
por inteiro
a beleza de teus montes.
Na vertiginosa viagem
avisto estrelas e constelações
nos sinais desenhados em tua pele,
em teu dorso,
sublime atalho
às volúpias de teus ombros
fortes, meus,
teus.
A ânsia das tuas águas
almeja o encaixe;
agora não!
Te entonteço
chegando às cascatas
de tua boca.
Mordo teu queixo,

te abraço,
te amasso,
me aperto
entre tuas pernas,
me encaixo, te sinto,
me molhas,
te molho.
Ondulas,
ondulas,
ondulas...!
Te acalmas em mim,
não estou em mim,
em ti
desenfreada respiração,
sopra, 
sopras...
teu leito, agora iluminado
pelo sol
fazendo minha pele arder,
ardes...!
Gosto de sal em ti,
em mim,
e uma calmaria em nós.


V.

domingo, 16 de setembro de 2012

Amote

Pelo sorriso largo e verdadeiro
Pela pele
Pelo franzir no canto da boca
quando ri
Pela sábia sabedoria
Pela humildade
Pela simplicidade
Pelos fios de cabelo
colados em minha pele
Pelo desenho dos olhos
vencidos pelo sono
Pelos passos assertivos
Pelas pintas-estrelas
Pela cadência da voz
rasgando o dissonante silêncio
Por todo carinho no olhar,
nos gestos
Por toda a atenção
Por todo o ouvir e calar
Por minhas mãos
perdidas nas tuas
Pelas afinidades
Pelas músicas
Pelas lealdade
Por tuas viagens
Por me provocar saudades
Por retornar
Pelo sim
Pelo não
Pelo talvez
Pelo nunca
Pelo sempre
Pela ausência
Pela presença
Pela distância
Pela alegria
Pelo choro disfarçado
com voz embargada
Por dividir tudo isso
Pelos erros e acertos
Pelas qualidades e defeitos
Pela humanidade
Pela tranqüilidade
Pela delicadeza
Pela gentileza
Pelo brilho
Pela paz
Pelo encanto
Pela existência
Pela vida
Amo-te!